terça-feira, 29 de julho de 2014

Jalapão

Parte 1 – Parque Estadual do Jalapão


As terras que hoje correspondem ao território do Tocantins (criado a partir da Constituição de 1988), faziam parte do estado de Goiás. Palmas é uma cidade planejada, fundada em 20 de maio de 1989, com ruas bem largas e poucos prédios altos, divisão urbanística caracterizada por grandes quadras comerciais e residenciais. População em torno de 260.000 habitantes. Faz muito calor no Tocantis durante o dia e à noite pode ser bem fresquinho! O território do Parque Estadual do Jalapão, com uma área de 159.000 ha, está distribuído pelos municípios de Mateiros e São Félix do Tocantins. Criado em 12 de janeiro de 2001, o Jalapão é o maior parque estadual do Tocantins e também o mais conhecido. Até hoje, a grande maioria das terras é de propriedade particular. Fica bem próximo das divisas com o Piauí, o Maranhão e a Bahia. A vegetação no parque é predominantemente a de cerrado ralo e a de campo limpo com veredas.

Dia 24 de julho, quinta
Mais um intervalo de semestres para aproveitar. Desta vez, um dos destinos escolhidos foi o Parque Estadual do Jalapão, no ainda desconhecido, para nós, estado do Tocantins. Saímos de Porto Alegre à tarde, em um grupo reduzido: Mônica, Bruno/Cascata, Gabriel, Débora, Ricardo e Artur. Desta vez as meninas das famílias não toparam e tinham outros planos relacionados à faculdade, é, as crianças cresceram... Viajamos de Gol e chegamos à noite em Palmas, após escala em Brasília. Nos esperava no aeroporto o nosso excelente e já contratado guia Alex (Jalapão Extremo) , com seu carro Toyota SW4, de 7 lugares – na medida para nós todos! Pernoitamos no simples, mas bem perto do aeroporto Hotel Italian Palace. O Ricardo chegou de viagem com febre e gripado e permaneceria assim por mais 3 dias, tomando remédios que faziam a febre ceder por algum tempo.

Dia 25 de julho, sexta-feira

Na TV, vimos que havia nevado no sul em vários pontos nesta madrugada e nós, naquele calorão desde cedo. Saímos logo após o café da manhã (muito bom!), às 8h30, com o Alex, da empresa Jalapão Extremo, para iniciarmos nossa aventura, rumo leste. Ao contratarmos o Alex, já estava incluído, além do transporte, os pernoites, as refeições e entradas nos atrativos. Foi tudo muito prático e, sinceramente, acho que não há outro jeito de se fazer tudo isso sozinho em uma região tão inóspita e mal sinalizada. Foi bem confortável para nós este sistema, além do que, há uma preocupação do guia em deixar renda para os locais, ou seja, muitas vezes almoçamos na casa de pessoas que têm essa renda extra com o turismo. Usando inicialmente apenas estradas asfaltadas e vendo a vegetação do cerrado, andamos vários quilômetros até a primeira atração, ainda fora dos limites do parque, em Taquaruçu, um distrito da cidade que abriga belas cachoeiras. Caminhamos até as Cachoeiras da Roncadeira (70m, há prática de rapel) e Escorrega Macaco (50m), às quais se chega após uma pequena trilha na mata. A água
era bem fria, mesmo assim, o Ricardo, o Gabriel e o Artur encararam o banho na Roncadeira, a mais alta delas. Passamos por alguns distritos de Palmas e depois pela cidade de Ponte Alta do Tocantins, onde comemos picolés do cerrado (pequi, cajá manga, etc) e vimos artesanato de capim dourado. Como faz muito calor (estamos na época do verão deles, que equivale ao período de seca, quando não chove de maio a novembro), os municípios costumam montar estruturas nas praias dos rios para o pessoal aproveitar o tempo de lazer. Em seguida ganhamos a estrada de chão, vermelha e empoeirada, já dentro do Parque Estadual do Jalapão. Almoçamos na Pousada Águas do Jalapão (com piscina, bem estruturada, quartos bons, com ar condicionado e TV), onde ficaríamos esta noite. A comida foi simples e boa. O pessoal daqui sempre come carne seca e farinha – a mistura desta carne batida com a farinha é chamada aqui de paçoca. O clima muito seco e quente estava castigando. A próxima parada foi o canyon da cachoeira Sussuapara, muito interessante, pois é uma fenda no solo que segue o curso de um pequeno (nesta época) rio, onde a vegetação verde se concentra e se pode caminhar pelo canyon percebendo a mudança de clima dentro da fenda e fora dela, no calor do cerrado seco. Mais alguns km de carro e chegamos, por volta das 17h, na enorme formação geológica conhecida como Pedra Furada, para assistir ao por do sol. A Pedra Furada trata-se de um enorme arenito, com suas cores peculiares, do rosinha até o roxo, modelado pelo vento, em meio a uma planície seca. Ao longe, a grande pedra furada lembra o formato de um elefante. Como este é um dos principais pontos turísticos do parque, outros grupos foram chegando depois de nós, todos em camionetes 4X4, o único jeito de rodar nestes lugares. Circundamos a grande rocha e depois nos posicionamos para o por do sol. O Alex nos avisou sobre um enxame de abelhas no local – deveríamos fazer silêncio para não atiçá-las. Já os demais grupos não tinham guias cuidadosos e até mesmo um dos guias foi barulhento e tirou lascas do arenito, falando alto para mostrar a todos, então, as abelhas começaram a atacar e todos tivemos que sair correndo, descendo sem muitos cuidados pelos barrancos. Um grupo de senhoras de mais idade ia na frente “barrando” a correria, pois desciam muuuito devagar para não se machucarem. Foi um festival de picadas. Do nosso grupo, o Ricardo, Cascata e Gabriel foram atingidos. Ainda bem que não havia gente alérgica entre o pessoal! De qualquer forma, já tínhamos visto um grande espetáculo alaranjado do sol se pondo, foi bem bonito. Na pousada, encontramos praticamente os mesmos grupos que estiveram na Pedra Furada. A maioria de brasileiros, mas alguns estrangeiros também.

Dia 26 de julho, sábado

Após o bom café da manhã, saímos às 8h. Este foi o dia mais cansativo, com mais tempo de carro. Mesmo assim, as atrações compensaram – vimos a Cachoeira da Velha, fantástica, com muito volume d’água do rio Novo, que tem águas limpíssimas, conferindo tons verdes e azulados e emoldurada por um cenário lindo de buritis e bastante vegetação verdinha. O lugar foi locação para o filme Deus é Brasileiro, com Antônio Fagundes.  Da cachoeira fizemos uma trilha de 1 km costeando o rio até chegar à Prainha, de areias brancas, outro cenário paradisíaco, onde pudemos nos banhar. A água do rio Novo não é fria, sendo muito agradável para o banho. Neste local há alguma infraestrutura, com banheiros, uma grande escadaria de acesso até o rio, funcionários de turismo que cuidam do atrativo. Como não existe restaurante por perto, neste dia o Alex preparou um lanche reforçado para substituir nosso almoço. E foi excelente – frutas, sucos, pães, patês, frios, frutas secas, paçoca, etc. Na volta, ao longo da estrada (ruim, de areia), vimos muitas queimadas e nelas, vários carcarás procurando pequenos animais para sua refeição. O por de sol deste dia foi nas dunas do Jalapão, outro ponto de encontro obrigatório dos grupos turísticos, que acabam fazendo o roteiro meio junto nestes dias. Várias destas paisagens foram locação para o filme Xingu e também seriados como Survivor (o equivalente do brasileiro “No Limite”) e outros programas de TV. Jantamos no restaurante de um camping, um buffet bem bom. Nos hospedamos nesta noite na Pousada Buritis do Jalapão, de propriedade de um dos muitos gaúchos que vive no Tocantins, onde ficaríamos por 3 noites, já que ela está situada em Mateiros, município muito pequeno, que é sede para explorar o Jalapão.

Dia 27 de julho, domingo

O café desta pousada é um dos piores que provamos na viagem. Como o Ricardo continuava febril e gripado, fomos no posto de saúde de Mateiros pedir uma solução mais rápida, ou seja, uma injeção mesmo. Rapidamente a atendente ligou para o médico, que receitou uma injeção de dipirona + dexametasona na veia e o Ricardo em menos de uma hora estava novo em folha.  Neste dia, mais light, conhecemos 3 dos 187 “fervedouros” que existem na região - apenas 7 são acessíveis para o turismo.  Todos eles ficam em propriedades particulares e cobram R$10,00 por pessoa. Saímos cedinho de roupa de banho e preparados, sempre, com muito protetor solar e repelente. Os fervedouros são nascentes de rios que proveem de grandes buracos do chão e com pressão d’água bem intensa, tanto que pode-se colocar sobre eles sem afundar. É uma sensação de outro mundo, ficar sem chão, sobre uma areia muito fina e branquinha que fica constantemente em suspensão, até os joelhos. Os guris fizeram muitas brincadeiras, entre elas, se empurrando para baixo, subindo nos ombros do outro, até o máximo que a água permitia, mas eram “espirrados” para fora. Algo realmente surreal e fantástico. Acho que foi o mais diferente de tudo nesta viagem. Sem contar o arredor destes poços, margeados em geral por uma vegetação muito verdinha, coqueiros, palmeiras de buritis. A água fica com uma coloração azuladinha, cenário paradisíaco. O primeiro fervedouro que conhecemos foi o mais famoso deles (a maioria dos passeios restringe-se a conhecer este), o “do Ceiça” circundado de bananeiras e onde podem entrar 6 pessoas de cada vez, permanecendo por 20 minutos dentro d´água. Havia um grupo apenas antes de nós, então, esperamos pouco. Dizem que em feriados como carnaval, por exemplo, há filas de horas (!). Depois fomos conhecer a comunidade quilombola Mumbuca, que vive do artesanato de capim dourado. Muitos objetos, enfeites de cabelo, bijuterias deste material, com design bem criativo e tudo muito bem feito. Este foi outro point dos grupos de turistas. O segundo fervedouro que conhecemos foi o “do Soninho”, onde tivemos exclusividade, ninguém além de nós e dos peixinhos (ah, claro, também mutucas!!!) durante várias horas. Almoçamos neste local, no rancho de pau a pique da proprietária das terras, a sra Alaíde.

Depois do almoço ela nos ofereceu umas redes onde relaxamos durante a bobeira que dá após o almoço em dias de sol escaldante. A última atração foi o “Fervedouro dos Buritis”, onde também ficamos a sós, por mais de uma hora, rodeados por muitos peixes, beija flores, borboletas e até um camaleão na vegetação próxima d’água, nos olhando. Mais mutucas. A esta altura já estávamos bem picados de mosquitos e mutucas, mas frente à beleza do lugar, isso é relevado. Este fervedouro é o que tem a cor da água mais azul, muuuuito lindo! É incrível saber que os proprietários de terras tão humildes, casinhas pobres e mal acabadas, tem tal preciosidade nos fundos de seus terrenos. Que bom! É uma ótima fonte de renda que a natureza lhes oferece! Espero que sempre as preservem, pois são preciosidades em meio ao cerrado. No final da tarde, já no centro de Mateiros, os grupos de turistas se encontraram novamente na sorveteria de sabores locais – comemos sorvetes de cagaita, jatobá, murici, pequi, etc. Jantamos no mesmo lugar de ontem, o camping. Aprendemos que o Jalapão é um paraíso das águas em pleno cerrado, um local muito peculiar mesmo de águas limpas abundantes em rios, cachoeiras, fervedouros.

Dia 28 de julho, segunda


Os homens do grupo fizeram um passeio extra – acordaram às 3h50 da madrugada para subir a Serra do Espírito Santo, de onde veriam o nascer do sol. Foram bem agasalhados, pois à noite faz bastante frio. Depois de 45min de carro e mais 45min subindo morro, chegaram ao topo da serra e observaram a o céu estrelado, estrelas cadentes e finalmente, o sol chegando. O café da manhã foi mais tarde, é claro, pelas 10h, quando regressaram à pousada. Perto do horário do almoço seguimos para o estreito rio Formiga, lugar maravilhoso, temperatura da água agradável, limpíssima e pudemos nos banhar, saltar de uma árvore, de uma plataforma de madeira, tudo excelente. Os meninos adoraram este rio. O almoço foi preparado pelo Sr Vicente, em seu rancho junto ao rio. Chama a atenção que em todos estes locais em que almoçamos nas casas das pessoas tudo é muito limpinho, panelas bem brilhosas guardadas nas prateleiras, fogão à lenha tipo mineiro e chão batido dentro do rancho. Sempre a comida foi boa, nenhum tempero muito diferente. No final da tarde ainda fomos à linda e cristalina cachoeira do Formiga, que os guris adoraram. Neste local haviam outros grupos, inclusive o caminhão da expedição Venturas, que, assim como a empresa Korubo, traz grandes grupos, prepara todas as refeições em suas propriedades e instala as pessoas em seus acampamentos com tendas confortáveis, ou seja, tudo muito legal, mas nada de retorno para o povo do local, exceto os ingressos nas atrações. Contato com os morados da região, o turismo de experiência, também é zero.

Dia 29 de julho, terça


Último dia de Jalapão. Muita viagem de carro nos esperava no retorno à Palmas, muita terra vermelha e poeira. Mas antes, a última aventura neste parque estadual – o rafting de 3 horas pelo rio Sono, de água potável, praias bonitas, paisagens lindas, com os sempre presentes buritis. A empresa que nos levou no rafting foi a Novaventura. O trajeto teve níveis 2 e 3 de dificuldade, sendo a maior delas, talvez, a cachoeira Jalapinha. O guia “Peu”, bem experiente, que viveu sempre na região, nos levou em um grande bote e o Rafael acompanhava em caiaque. Bacana, passeio de média emoção, bastante contemplativo. Houve inclusive uma parada para lanche – paçoca (que se comia em folhas de árvore) e rapadura. O almoço foi na propriedade de um casal gaúcho, o Sr Hélio e a sra Odélia, que migraram para o Mato Grosso na década de 70 e há 4 anos estão nesta fazenda no Tocantins, vivendo sem energia elétrica, da agricultura, principalmente mandioca – e que mandioca macia e saborosa! Aliás, foi talvez, o melhor e mais farto almoço da viagem. Muita variedade de salada, vegetais, carnes, tudo no capricho! Gente corajosa, animada e receptiva. Na viagem de volta à capital do estado, paramos para fotografar a Serra da Catedral (cenário do filme Xingu) e o Morro Vermelho, onde o Bruno conseguiu fotos incríveis de araras azuis em seu ninho e voando. Chegamos em Palmas à noite. Já no Hotel Serra Azul, nos esperava nosso próximo cicerone do Tocantins – o Léo (http://www.cctrekking.com.br/), responsável pela programação do Parque Estadual do Cantão. Jantamos no restaurante em frente ao hotel e depois fomos tirar a poeira e descansar.

domingo, 22 de junho de 2014

Goiás

Dia 18/06, quarta
Aproveitando os feriadões proporcionados pela Copa do Mundo e Corpus Christi, a família Heineck Neves partiu para mais uma indiada no interior do Brasil. Às 7h saímos do aeroporto Salgado Filho, com a empresa Azul, em direção a Goiânia. Depois de uma curta escala em Campinas, chegamos ao nosso destino às 11h20. Pegamos o carro, previamente alugado, no aeroporto Santa Genoveva, e rumamos para Pirenópolis. A estrada até a cidade histórica de Pirenópolis está em boas condições, a vegetação do cerrado, o clima quente e seco e a terra vermelha nos lembravam da viagem à Chapada dos Veadeiros. Antes das 14h já estávamos na Pousada Tia Ilda, uma confortável hospedaria com um bom café da manhã, ótimas camas, tudo novo, cheiroso e limpinho. Almoçamos no restaurante Tempero do Rosário, que fica na praça da matriz e tem um buffet muito variado com comidas típicas e caseiras. Durante o almoço assistimos o grande jogo entre Holanda e Austrália, que estava acontecendo no Beira-Rio. Depois de almoçarmos, descemos uma ladeira do centro histórico olhando as diversas lojinhas de artesanato e joias em prata até encontrarmos uma sorveteria, onde o Ricardo tomou sorvete de baru, o amendoim do cerrado. Pirenópolis foi fundada por bandeirantes em 1727, durante o ciclo do ouro. É uma pequena cidade que conserva um centro histórico colonial, tem ruas calçadas com pedras (retiradas das pedreiras usadas para a construção de Brasília) e é atravessada pelo Rio das Almas, sobre o qual pequenas pontes de madeira pintadas de vermelho enfeitam o cenário. O centro foi tombado pelo IPHAN em 1989. Durante o dia há algumas crianças se banhando no rio, que parece muito limpo e tem um leito formado por grandes pedras e pequenas cachoeiras nesta época. A cidade estava tranquila. Pegamos informações em um ponto turístico e voltamos para a pousada para descansar, afinal, havíamos acordado às 5h manhã... A sra Ilda, dona da pousada, nos falou de algumas atrações da região, explicou que esta temporada é seca e que alguns estrangeiros estariam hospedados com ela a partir de hoje para irem assistir ao jogo entre Colômbia e Costa do Marfim, em Brasília, amanhã. À noite, conhecemos outros pontos do centro, inclusive uma ladeira tomada por restaurantes com mesinhas nas calçadas e na própria rua, lugar muito bonito e romântico. Jantamos neste local. Clima agradável, quente durante o dia, mas com uma brisa. À noite bem frio.

Dia 19/06, quinta, feriado Corpus Christi
Depois de uma excelente noite de sono e de um farto café da manhã, com pão de baru, queijo colonial, etc, etc, saímos para os destinos de aventura. O primeiro deles foi a Serra dos Pireneus, que tem o segundo ponto mais alto do estado de Goiás. O acesso ao parque tem uma estrada de chão bastante difícil e poeirenta. Paramos em um mirante, caminhamos pela vegetação do cerrado até umas formações rochosas altas e interessantes, mas não seguimos até o ponto mais alto do parque estadual. Depois fomos à Fazenda Bonsucesso, onde se paga uma entrada de 20 reais por pessoa para ter acesso às seis cachoeiras através de uma trilha de mais ou menos 1 hora de caminhada. Apenas uma cachoeira não tem local para banho. Tomamos banho nas águas geladas e aproveitamos por mais tempo a última cachoeira e de acesso difícil, chamada Lagoa Azul. Saímos dali em torno das 14 horas para irmos até a Fazenda Vagafogo, onde comemos o famoso e delicioso brunch, servido com 45 produtos típicos e feitos na própria fazenda. Conversamos com um dos donos da fazenda, o Uirá, que além de sugerir as melhores combinações para comer no brunch, deu dicas de passeios na região. A Fazenda Vagafogo é uma RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural). Voltamos para o centro às 17 horas, passeamos mais um pouco e vimos vários cavaleiros fantasiados com máscaras de caveiras, chapéus, capas e botas, sobre seus cavalos enfeitados com panos coloridos, colares de sinetas, flores de papel coloridas, resquício das Cavalhadas e da Festa do Divino que encerrou no dia 10 de junho. Os cavaleiros se exibiram até a metade da noite na rua principal, fazendo muita folia, bebendo e empinando seus cavalos, sob a atenção dos turistas que estavam junto à Igreja da Matriz. Atrás da igreja, muitas pessoas assistiam o jogo Japão 0 X 0 Grécia, no telão da Fanfest, montada para acompanhar a Copa do Mundo FIFA. Na diagonal da igreja uma ruazinha ainda conservava a decoração com o longo tapete de cerragem colorida em virtude da festa de Corpus Christi. Ao chegarmos na Pousada, a tia Ilda nos contou sobre o jogo Colômbia 2 X 1 Costa do Marfim, que ela e o marido Benitez (primo do famoso goleiro do Inter) haviam visto em Brasília à tarde. Disseram que foi tudo muito bem organizado e bom. Jantamos na rua do burburinho, em um restaurante aconchegante, muito bem decorado, mas com atendimento que deixou a desejar. Segundo o Ricardo, foi lá que comeu o melhor risoto de pequi da viagem. Sim, não poderíamos deixar de comer o pequi, que é largamente utilizado na culinária do cerrado. A Débora e a Luísa foram de carne de sol com aipim e um caldo de moranga (que tinha muito mais queijo e creme de leite do que moranga). O Artur arrependeu-se de dividir o prato com o pai, achou o gosto do pequi muito forte. Na verdade, lembra muito o butiá! Como foi feriado, esta noite estava muito mais movimentada do que a anterior.

Dia 20/06, sexta

A Débora e o Ricardo acordaram cedo para fotografar a cidadezinha menos povoada e valeu a pena. O sol da manhã batendo na fachada da Igreja da Matriz, dos casarios e o menor número de veículos, rendeu algumas bonitas imagens. Tomamos café da manhã e  visitamos, ainda em Pirenópolis, o excelente e imperdível Museu Rodas do Tempo (http://www.rodasdotempo.com.br/). Este organizadíssimo museu mostra a história da bicicleta e da motocicleta, com ótimos exemplares, entre eles algumas réplicas de bikes feitas em madeira. Os modelos ingleses, alemães, as Vespas, Romisettas, Harley Davidsons, são um capítulo à parte. Seguimos para a próxima cidade: Goiás. Sim, alguns a chamam de Goiás Velho, mas o correto é chamar apenas de Goiás a primeira capital do estado, que é muito bonita, tem um enorme centro histórico e por isso foi tombada como Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco. Goiás tem o traçado típico de cidade de ciclo do ouro, está encostada na Serra Dourada e é perpassada pelo rio Vermelho. Chegando ao destino, fomos direto ao Mercado Central, sob um sol escaldante, apenas caminhamos rapidamente para ver as poucas bancas e depois fomos explorar o centro, totalmente calçado por grandes pedras lisas. Iniciamos na praça da matriz, onde um coreto foi transformado em sorveteria, concentrando mesinhas com famílias locais e turistas. Tudo muito interiorano, a cidade anda lentamente, pouquíssimo trânsito. Acho que o calor dita o ritmo lugar. Ainda faltava provar outra iguaria clássica: o empadão goiano, então, foi desta vez que, num boteco da praça, comemos o salgado de massa assada numa cumbuca, recheado com molho de frango, palmito, batata. Quem comeu, gostou! Também compramos doces de frutas cristalizadas e o tradicional pastelim, panelinha recheada de doce de leite. Passeamos pelas ruas de pedras antigas e irregulares e, para finalizar o tour pela cidade, visitamos a casa de Cora Coralina, "encalhada no rio Vermelho", junto a uma bucólica pontezinha de madeira, bem no centro histórico. Perto dali, vimos o furgão 1952, azul, do Durval Sampaio, um cara que viaja o Brasil fazendo chapéus em diversas comunidades – ele saiu no Fantástico, Jô Soares e em várias outras reportagens na mídia (http://www.e-holic.com.br/ ), sua filosofia é viver do que gosta de fazer, assim, viaja e costura chapéus. Seguimos, então, mais 4h e meia de viagem, num trânsito difícil, com caminhões e bastante movimento, em estradas duplicadas apenas perto de Goiânia, para dormir onde havíamos reservado um flat - Caldas Novas. Foi uma viagem cansativa, chegamos à noite. Saímos para jantar no centro, que é bastante movimentado e próprio de um balneário. Muitas famílias com crianças, senhoras idosas, lojas de roupas de banho e boias e tudo o quanto é brinquedo inflável para água. A grande maioria dos restaurantes eram “de comida em bastantão” ou pizzarias. Nosso flat não animou muito, apesar de ser bem novo, bem aparelhado, limpinho e ter cama boa (um quarto e um sofá cama na sala); não tinha internet, era no 13º andar e havia problemas nos elevadores, então, tivemos que subir as escadas algumas vezes. Não nos demos conta que, por ser flat e não hotel, as roupas de cama e banho seriam por nossa conta. Ainda bem que o rapaz que nos alugou o apto providenciou estes itens para nós!  Como era para apenas 2 noites, estava bem.

Dia 21/06, sábado
Ao nos informarmos sobre as opções de balneários, resorts e parques aquáticos em Caldas Novas e Rio Quente (cidadezinha próxima, cerca de 20km), soubemos que elas eram inúmeras e todas elas, claro, com água quentinha, característica da região e o que mais atrai os turistas. O município de Caldas Novas é conhecido por ser a maior estância hidrotermal do mundo, possuindo águas que brotam do chão em temperaturas que variam de 33° a 60°. A principal fonte de renda do município é o turismo. Há espaços públicos para banho, junto ao rio Quente (um rio quentinho que passa na cidade de mesmo nome), mas há muitos empreendimentos privados de lazer. São mais de 1 milhão de turistas por ano na região. Algumas pessoas optam por hospedar-se em resorts, onde está tudo incluído – hospedagem, refeições, acesso às piscinas e atividades aquáticas. Nós achamos que não valia a pena, pelos nossos cálculos, por isso a opção do flat. Preferimos conhecer o mais completo dos parques aquáticos e também com mais brinquedos de aventura para agradar o Artur e a Luísa - o Hot Park. Sendo assim, tomamos café – pão de queijo maravilhoso - em um posto de gasolina, já na estrada para a cidade de Rio Quente, onde fica o Hot Park.
 Também neste posto compramos os ingressos antecipadamente (mais baratos), isto evita as filas na entrada. O valor para um adulto é de R$124,00, pagamos R$109,00 antecipados.  Há valores mais baixos para estudantes, professores, gestantes, idosos, pacotes para mais de um dia, etc. São várias as promoções. O parque lembra muito o Beach Park, de Fortaleza, que também é um espaço enorme e tem muitas atrações iguais, apesar de ser com água fria. Existem piscinas de criança, baixinhas; outras com bares molhados, muito procuradas; toboáguas abertos e fechados, que se desce com boia ou tapete; escorregador (tipo pista de skate) para boias duplas: rio artificial com uma leve correnteza para ir de boia ou nadando, em meio a jardins e cachoeirinhas; escorregador radical com queda livre que permite uma velocidade média de 8,3m/s, etc. O Ricardo e o Artur foram neste brinquedo, chamado Xpirado e disseram que foi muita adrenalina, não puderam ver nada, pois a velocidade realmente é impressionante. Nos divertimos um tempo na Praia do Cerrado, uma enorme praia, das 5 maiores do mundo deste gênero, com areia branquinha, água quentinha, ondas artificiais que eram ligadas periodicamente. Muito legal! Segundo um site de turismo: “a maior praia artificial de água quente natural do mundo, inaugurada em 2008. Ocupa uma área de 25 mil m² e exibe areia branca e fina, coqueiros, além de nove tipos de ondas que podem atingir até 1,20 metros de altura. E são três praias em uma. A com ondas baixas e pouca profundidade, dedicada às crianças. Outra mais reservada, com clima de praia particular, lounge com sofás e poltronas sob sombrites, restaurante privativo e um bar aquático. A terceira tem palcos para shows, arena para jogos de vôlei e futebol, bar aquático, bangalôs, além de um deck molhado.” Além das atrações na água, há também um viveiro com aves, mini golf, paintball, arvorismo, rapel e muitas outras atividades, a maioria delas pagas à parte, neste caso. Tem diversão garantida para o dia inteiro mesmo. Ficamos desde às 10h até o horário de fechar, às 18h. Comemos uns lanchinhos durante o dia, nos quiosques do próprio parque e à noite voltamos ao apto, para tomar banho e sairmos para jantar.

Dia 22/06, domingo

Saímos cedo para Goiânia, capital inaugurada oficialmente em 1942, onde havia atrações que queríamos conhecer. Inicialmente fomos à Feira do Cerrado, um local muito agradável com muitas bancas interessantes de artesanato e comidas típicas. Estava rolando um show de música caipira, de um sanfoneiro, em função das festas juninas. Comemos tapiocas muito boas, passeamos, compramos algumas coisinhas. O que mais gostei foi uma banca de bordados de uma cooperativa de mulheres que borda flores do cerrado, tudo de muita qualidade em capas de almofadas, toalhas de mesa, etc. O calor era grande! De carro, circulamos por alguns parques e praças bonitos, bem verdes. Pudemos perceber que a cidade foi realmente toda planejada, especialmente no centro, onde estão vários prédios em art déco, da década da fundação da cidade, misturados a outros de variados estilos. Seguimos para o Centro Cultural Oscar Niemeyer, onde alguns prédios públicos estão dispostos ao redor de um grande vão – a Esplanada JK - em que skatistas e ciclistas faziam suas manobras, crianças empinavam pandorgas. Toda a arquitetura, projetada pelo Niemeyer (apesar de terem nos dito que a execução foi criticada por ele), é magnífica. As formas curvas, brancas, acessos por rampas, muito espaço livre, tudo característico da arquitetura de Oscar Niemeyer.  O mais alto de todos os prédios, em forma piramidal/triangular, todo vermelho, é o Monumento aos Direitos Humanos, que contém auditório e local para projeções. Outro de formato mais tradicional, retangular, comprido, com 3 pavimentos, fica ao fundo do complexo e abriga uma biblioteca, cinemas, restaurante e a parte administrativa do Centro Cultural. Há ainda o Palácio da Música, um prédio parecido com o do Senado Federal, côncavo e virado para baixo. Conhecemos mais detalhadamente o prédio do Museu de Arte Contemporânea de Goiás, redondo, com uma rampa vermelha de acesso. Nele vimos 3 exposições bem bacanas – uma delas reunia obras dos artistas plásticos goianos Pitágoras (Totalitarium) e Rodrigo Godá (Aurora Tecnicolor). Eram muitas e grandes obras, a maioria de pinturas em tela, bastante expressivas. Outra exposição, de um mexicano, com o tema “Futebol”, fazia parte de uma série de exposições relacionadas à Copa do Mundo. E a terceira que vimos foi de grafite, com vários artistas brasileiros, bem legal! Valeu a pena conhecer, tanto o espaço, como o conjunto de ótimas exposições. Almoçamos em uma padaria antes de seguir para o aeroporto. Na escala, em Campinas, aproveitamos o espaço de grande telão preparado com tapetes e pufes em que os viajantes acompanhavam as partidas da Copa. Assistimos EUA 2 X 2 Portugal e foi uma grande vibração.