quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Highway 1

Dia 21/01, quarta-feira
Após o café da manhã, sempre totalmente self service, no Howard Jonhson, dirigimos até a locadora de RVs El Monte, onde, após assistirmos um vídeo com instruções básicas sobre manutenção e segurança, recebemos o Ford 450 (Recreational Vehicle/RV) para 8 pessoas. Foi uma festa conhecer nossa casa pelos próximos 18 dias. Alugamos também 3 kits pessoais e ganhamos mais 1 de brinde. Em cada kit vem 2 toalhas de banho, 2 de rosto, lençol, travesseiro, fronha, prato raso, fundo, caneca, copo e talheres. O RV é muito grande, exige bastante atenção para manobrar e cuidado para passar sob árvores e locais baixos. Tem sofá, 2 mesas com bancos para 4 pessoas cada, 2 camas de casal e 4 de solteiro, banheiro, cozinha e armários, muitos armários. Ele também pode ampliar cerca de 60cm para o lado na sala e num dos quartos de casal. Seguimos com a van e o RV para devolver a van na locadora Álamo. Só então, nossa viagem de RV começou pela costa do Pacífico. O trajeto deste dia acompanhou o litoral, algumas vezes pela rodovia 101 e outras pela Highway 1, onde conhecemos Malibu e outras praias. Como alguns trechos da Hwy 1 estavam interrompidos, tivemos que usar a 101 por vezes. Já havíamos comprado a maioria dos mantimentos, mas paramos em um supermercado Target para abastecer com perecíveis e também comprar mais travesseiros e pratos. Sobre os supermercados: realmente são SUPER - tem de tudo o que se imagina, alguns preços ótimos, ficamos um tanto envolvidos, vendo e comprando coisas que nem estavam "na lista". A cada parada dessas, a Dora, que nem havia nascido ainda, ganhava  mais uma coisinha. Já era escuro quando chegamos, às 19h30, no primeiro destino, Morro Bay, que é o nome da formação rochosa à beira mar que dá nome ao lugar. O camping é muito bem localizado, junto à praia e de frente para esse morro. Durante o dia fez bastante calor, mas quando o sol se pôs, o frio era intenso. A recepção do camping para RVs estava fechada, mas nessas situações, se usa um sistema de dispenser afixado na guarita, com instrução sobre os espaços existentes para estacionar e uns envelopes para registro da entrada. Nossa primeira experiência em descarregar os reservatórios de dejetos e água suja deu certo. Também abastecemos com energia elétrica e água potável. Estávamos familiarizados com os compartimentos do motorhome, os mecanismos de abrir e fechar os slider e começamos, também, a aprender a estabilizar o carro no terreno a partir do nivelador e colocação de calços sob os pneus, o que seria necessário a cada novo camping. O banheiro do camping era muito limpo, quentinho e bom para banho. Jantamos massa com molho de tomate, salada verde e milho baby. O vinho riesling californiano desta noite não aprovou, era muito doce, mas continuaremos provando até acertar.



Dia 22/01, quinta-feira
Após o primeiro café da manhã, caminhamos pela praia até o morro, havia muito vento, o mar era gelado, mas próximo do morro ficamos protegidos do vento, apanhando um solzinho e olhando muitos surfistas. Depois seguimos viagem pela Hwy 1 e paramos em umas colônias de elefantes marinhos que nesta época estão amamentando seus filhotes preguiçosamente na areia. Eram centenas de animais, assistimos inclusive algumas disputas ferozes entre os enormes machos. Muitos turistas paravam para fotografar. Vimos também esquilos que fazem suas tocas no chão da praia. A paisagem da costa do Pacífico é muito linda neste trecho e vai revelando pontes, pequenas localidades com casas bem pintadinhas e, especialmente, o mar, às vezes azulzinho e outras vezes verde. O dia ajudou, havia bastante sol. Ao final da tarde paramos no Julia Pfeiffer Burns State Park, onde deixamos o RV de um lado da estrada, caminhamos alguns minutos por uma trilha que passa por baixo da estrada e vimos se descortinar um lindo cenário aos nossos pés, com a McWay Falls, uma cachoeira que deságua na praia em um lugar muito especial. Caminhamos até um mirador de onde se vê a cachoeira de lado e de cima e também se avista outros pontos bonitos. Algumas famílias brasileiras estavam no local. Seguimos até a cidade de Marina, um pouco além de Monterey, onde havia um bom camping de RVs e, mais uma vez, usamos o sistema de registro pelo dispenser da recepção, pois já era noite. Este foi um dos melhores campings da viagem, com boxes largos, lugar bem aprazível, verde. Jantamos em um restaurante bem próximo, onde comemos bem, tomamos um bom vinho, mas os garçons eram um tanto hiperativos. Uma garçonete derrubou um prato de comida no Cascata e acabamos nos passando nos cálculos da gorjeta (devem ter gostado de nos atender).


Dia 23/01, sexta-feira

Fomos até a cidade de Monterey que tem uma linda beira mar, com píer, marina cheia de barcos e veleiros e tem um paisagismo lindo. Os prédios, em sua grande maioria, não passam de sobrados, todos muito bem pintados, o centro da região de Cannery Row, antigo lugar de fábricas de enlatar sardinhas que foi transformado em cais turístico é muito limpo e tranquilo. A maior atração da cidade é o magnífico aquário, que levamos toda a manhã e parte da tarde para visitar. O ingresso é caro mas vale a pena (é melhor do que o da California Academy of Science, que veríamos em SF e também é muito interessante). Já na primeira sala assistimos uma mergulhadora entrar em um tanque enorme para alimentar peixes e tubarões. Sentados em uma arquibancada ou no carpete do chão, ouvimos as explicações que ela dava, através de um microfone conectado a sua máscara de mergulho. Cada ambiente trazia diferentes animais, corais, experiências sobre a vida marinha e também sobre ecologia e sustentabilidade. Muitos dos atendentes são idosos voluntários. A ala das jellyfish / águas vivas foi das mais lindas, são exemplares incríveis, que nem sabíamos existir, como alguns que tem luzes dentro de si, piscando em diferentes cores, parecendo um circuito elétrico. Simulador de ondas do mar, espaço para tocar em algas e animais marinhos com voluntários explicando, enfim, dá para ficar um dia inteiro e é uma diversão para adultos e crianças. Mais uma vez encontramos muitos brasileiros. Na saída, oferecem binóculos para quem está no píer observar o mar de Monterey. Vimos uma lontra nadando e boiando tranquilamente, de barriga para cima. Em seguida, almojantamos no famoso restaurante Bubba Gump do píer, onde todos comeram peixe ou camarão - muito bom! Seguimos viagem em direção a San Francisco, fazendo paradas para fotos, especialmente ao pôr do sol. O San Francisco RV Resort foi o que achamos mais próximo e acessível da grande metrópole e, como sempre, chegamos quando já era escuro. Este camping foi U$ 87,00 por noite e era totalmente asfaltado, à beira mar, onde ventava bastante. Quanto ao pessoal que fica nestes campings, raramente víamos alguém, passeando com seu cachorro ou caminhando. O RV é uma forma de viajar muito utilizada nos EUA, existindo toda uma estrutura própria. Poucos RVs eram menores do que o nosso, como caminhonetes adaptadas ou furgões para casais. A grande maioria dos que vimos nestes lugares eram maiores, ônibus de vários tipos com vários "slide out's" e que trazem junto seus automóveis, para se locomover pelas cidades. Muitas pessoas mantém seus RVs fixos, como residências de temporada e plantam jardins, colocam móveis e até tapetes fora do carro.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Los Angeles

Dia 17/01, sábado
Grupo embarcando neste dia: Gabriel, Mônica, Cascata, Artur, Ricardo e Débora. As meninas Luísa e Bruna que se juntariam ao grupo já estavam nos EUA desde o dia 31/12/14, em mochilão com a amiga Júlia. As encontraríamos em Los Angeles. Saída às 6h de Poa. Guarulhos: saída às 11h. Miami chegada às 16h30 e saída às 19h (horário local). Chegada em Los Angeles às 22h. Voos bem confortáveis, com telas de tv individuais, filmes bem atuais. Almoço e lanches gostosos e fartos, com exceção do último voo, em que nada foi oferecido. Chegamos à noite em LA, onde o fuso horário tem uma diferença de seis horas a menos em relação a Poa. Pegamos um shuttle da empresa Álamo para a locadora onde já estava, prontinha nos esperando, a van de 15 lugares para circular por Los Angeles. Já passava das 23h e, para confirmar que havíamos chegado nos USA, paramos em um Mac Donalds (única opção aberta a essa hora que achamos) para matar a fome, antes de chegar ao hotel.

Dia 18/01, domingo
Depois de tomar café no Hotel Howard Jonhson, que fica em Torrance, pegamos a van e fomos buscar as gurias na casa da Waleska, tia da Júlia, que mora em Palos Verdes, um local muito bonito, no litoral, de casas lindas, ajardinamento perfeito nos canteiros, casas e condomínios. Conversamos um pouco com a família da Júlia na sala com vista para o mar, conhecemos a avó dela, sra Genni, as duas foram muito simpáticas. Seguimos em direção a Santa Monica, onde combinamos de encontrar a Vanessa, prima do Ricardo. Ficamos passeando um bom tempo pelo enorme píer, cheio de lojinhas, restaurantes, apresentações de artistas de rua e inclusive um enorme parque de diversões, tudo sobre a estrutura de fortes toras de madeira, construída sobre o mar. Tiramos foto na placa indicativa do final da famosa Route 66. Muitas pessoas de todos os jeitos, a maioria turistas. Quando encontramos a Vanessa, junto com uma amiga e cada uma com seu cachorrinho, elas nos disseram que essa região é sempre cheia de gente assim, não somente nos fins de semana. A faixa de areia é grande e algumas pessoas se aventuravam a entrar no mar gelado. A água era bem transparente, podíamos ver, de cima do píer, um golfinho e uma foca. Caminhamos até a loja REI, na Blvd St Monica, de equipamentos e roupas esportivas, pois queríamos adquirir botinas e casacos impermeáveis quentinhos. Depois das compras, almoçamos em uma pizzaria próxima, numa rua que é um calçadão de Sta Monica onde circula muita gente. A Vanessa e sua amiga nos acompanharam. Depois fomos a Venice Beach com a Vanessa. Ali, como já esperávamos, era uma fauna humana. Gente de muitas culturas, muuuuuitos de bicicleta ou patins na ciclovia que fica entre a praia e a rua da beira mar. Muita música, inclusive um grupo de pessoas dançando na areia na maior animação e sendo vigiado de perto por duas patrulhas policiais. O pôr do sol foi muito lindo, tiramos fotos com as palmeiras, as casinhas de salva-vidas e já estava ficando friozinho. Levamos a Vanessa na casa de uma amiga, onde ela havia deixado seu carro e depois largamos a Bruna, a Júlia e a Luísa na casa da tia Waleska, que havia combinado de levá-las em um bar de Manhatan Beach. Segundo elas, foi um programa bem bom. Os outros seis do grupo jantaram em uma cantina, com porções muito bem servidas.



Dia 19/01, segunda-feira
Breakfeast com pães e cookie, aveia, cereal, maçã, laranja, café, leite, chá, geleias e uns waffles feitos na hora (self service), cuja máquina o Cascata adorou pilotar. Era só pegar a medida da massa e colocar na forma; interessante, mas o gosto não era muito bom. Ter café da manhã no hotel facilitava nossa vida. A Débora e o Ricardo aproveitaram o início da manhã para fazer as compras do enxoval da Dora, encomendadas pelo Neco e pela Rose. Foi uma grande sorte ter, bem em frente ao hotel, uma enorme loja chamada Buy Buy Baby. Dava para ficar lá todo o dia, o lugar é imenso e os itens para bebês incrivelmente lindos, práticos e, em geral, muito mais baratos do que no Brasil. Nossa intenção era aproveitar o Los Angeles County Museum /LACMA, neste dia, mas ele estava fechado. Estacionamos próximo a ele e caminhamos pelos arredores. O Ricardo e o Cascata desejavam ver apetrechos de fotografia, então, fomos à Samy's Camera, uma loja de três andares com tudo o que se imagina em termos de câmeras, acessórios, livros sobre o assunto. O Cascata se enamorou de um drone... Depois fomos ao shopping Grove, que tem um pátio interno aberto muito bonitinho, com um chafariz, numa alameda agradável, bonita e com muitas lojas de grandes marcas. Alguns aproveitaram para fazer compras numa loja da Apple. Depois andamos pelo ambiente agradável do Farmer's Market, ali pertinho, onde também tomamos um café no Starbucks. O Farmer's Market tem bancas de frutas, legumes e outras comidas, pequenas lojas, restaurantes e lancherias que se concentram ao ar livre. À noite nos dirigimos ao Staples Center, que é um enorme centro de eventos e esportes, onde estacionamos no subterrâneo, para assistir ao jogo de hóquei entre o LA Kings, time da casa, e o canadense Calgary. Após as roletas de entrada e a revista, comemos hot dogs e alguns compraram camisetas do Kings, em suas tradicionais cores preta e branca. Nossos ingressos eram nas arquibancadas de cima, longe da quadra, mas podíamos assistir bem ao jogo e, os impressionantes 6 supertelões com imagens excelentes ficavam suspensos acima da quadra e bem centralizados a nossa frente. Poucos instantes antes do início da partida o estádio lotou. Os telões traziam palavras de ordem que a torcida cantava em coro, em geral "Go, kings, go" e o leãozinho, mascote do time, incentivava também. Aliás, para nossos padrões, achamos um tanto estranho a torcida praticamente só se manifestar quando havia este tipo de incentivo. Foi um longo jogo, com várias atrações nos intervalos, como quiz, entrevistas, curiosidades. O Kings perdeu de virada nos minutos finais e a torcida, muito conformada, aparentemente não ficou desapontada . Tudo foi interessante para nós, mesmo sem entendermos muito as regras. Largamos as três meninas na Waleska bem tarde.




Dia 20/01, terça-feira
Finalmente neste dia, conseguimos entrar no LACMA. Visitamos grande parte dos vários prédios e o acervo interessante. Havia uma exposição no térreo com grandes esculturas de Richard Serra, muito legal. Depois vimos obras de gente muito famosa, em pinturas, instalações e uma exposição fotográfica. Passeando pelo museu, reconhecemos o ator Luiz Guzman (um portorriquenho que fez vários filmes hollywoodianos), que também estava no museu. Nos separamos por algum tempo, já que a Débora e o Ricardo queriam ver mais espaços do museu e a maioria foi para o Farmer's Market lanchar. Se deixássemos, o Ricardo ficaria vários dias no LACMA! O Cascata aproveitou a passagem em frente ao Samy's Camera para comprar seu sonhado drone e, mais tarde, passando por ali, o Ricardo e a Débora também entraram para comprar uma câmera para o Neco, mais alguns apetrechos e viram, na loja, o ator Donald Sutherland - o Presidente Snow, de Jogos Vorazes. À noitinha seguimos todos, em nossa van, para a Hollywood blvd, tirar fotos das estrelas das calçadas e olhar o ambiente. O lugar não tem "nada de mais" e não lembra o ambiente glamuroso dos famosos eventos do cinema norteamericano. O trânsito em LA é um grande problema. Tudo é muito longe, e, apesar da boa sinalização e condições das estradas, o volume de tráfego intenso torna os deslocamentos muito cansativos. Depois de andarmos quase 2 horas, chegamos a Redondo Beach,  onde havíamos combinado de jantar com a Vanessa, num restaurante do píer, muito bom e bonito, onde comemos peixes e a Vanessa comeu mariscos.  Esta noite foi de despedidas - nos despedimos da Vanessa e, depois, da Júlia, que ficou em LA com sua tia Waleska. Pela primeira vez na viagem a Luísa e a Bruna dormiram conosco no hotel.