domingo, 5 de janeiro de 2020

Teotihuacan e Oaxaca


Dia 5 de janeiro, domingo

Acordamos na cidade do México às 7 horas. O Ricardo logo saiu, comprou bastante pão fizemos um café da manhã arrumando as malas e pegamos 2 uber para irmos até o aeroporto onde tínhamos alugado um carro (Versa, com placa de Guanajuato) na companhia Álamo. Depois de algum tempo de burocracia, saímos em direção às ruínas da grande cidade antiga de Teotihuacan, 1 hora ao norte da cidade do México. Logo na saída do aeroporto, tivemos a pior experiência da viagem. O relato que segue, do desenrolar do dia, foi feito pelo Artur, que ficou muito indignado com a situação: “o app Waze, que estava nos guiando para o destino, nos indicou entrar em uma rua na contramão. Como não havia qualquer sinalização indicando o sentido da via, seguimos. Logo vimos um carro da polícia vindo em nossa direção e nos parou. A policial pediu documentos do veículo e habilitação do Ricardo. Tudo ok com a habilitação, mas disse que a documentação que tínhamos no carro não era válida. Nesse momento um outro carro veio atrás de nós, também na contramão (olha a rua não sinalizada aí). A policial foi conversar com o motorista. Trocaram poucas frases, e o liberou. Já nós, nitidamente nervosos por termos cometido a infração 20 minutos após tirar o carro, num país estrangeiro e querendo seguir viagem, continuávamos dando explicações. A policial começou a dar indícios de querer resolver a situação de outra forma. Chamou um companheiro mais experiente na bandidagem, que logo chegou em outra viatura. Esse policial disse que nosso documento era válido sim, mas começaram a criar outros mil e um problemas para a nossa situação. Chegaram a dizer que o carro teria que ir para uma garagem e só poderia ser retirado no dia seguinte, pois era domingo no dia do ocorrido. Ligamos para a locadora e descobrimos que era tudo mentira. O Ricardo, muito experiente nessas situações, já tinha percebido como tudo iria se desenrolar. Dito e feito. Ele volta para o carro informando que os corruptos estavam pedindo 1.500 pesos (cerca de 330 reais e 82% do que tínhamos recém sacado) alegando que seria o valor da multa e apenas não iríamos até a delegacia pagar. O suborno (estorción, no bom espanhol) foi feito. Seguimos para Teotihuacan putos da cara e, dessa vez, seguindo as direções do Google Maps. Depois de uns 40min de estrada, tomando todos os cuidados possíveis, chegamos a Teotihuacan, Patrimônio Mundial da UNESCO. Da wikipedia: “No seu apogeu, talvez na primeira metade do primeiro milênio d.C., a cidade de Teotihuacan foi a maior da América pré-colombiana, com uma população de mais de 125 mil pessoas, tornando-se, no mínimo, a sexta maior cidade do mundo naquela época.” !!!!! Pagamos 440 pesos pela entrada de todos + estacionamento. Já de longe avistávamos a multidão em cima da Pirâmide do Sol, e, nos aproximando mais, vimos a enoorme fila para subí-la. A passos lentos, devido à superpopulação do local somada aos altos e estreitos degraus da pirâmide, chegamos ao topo. Incrível ver lá de cima as ainda bem conservadas construções, com um tanto de concreto por cima, é verdade. A vista rendeu muitas fotos. Inclusive a já tradicional foto do grupo trajado com o manto do colorado! Descemos a enorme Pirâmide do Sol e caminhamos pela também enorme avenida que levava à Pirâmide da Lua. Subimos. Uau - a vista era ainda mais legal. De frente para o "avenidão" e com a Pirâmide do Sol ao fundo. Mais uma longa caminhada na parte central da antiga cidade de Teotihuacan acompanhados de vendedores de tudo que é coisa até chegar ao museu do local. Interessante, mas para quem visitou o Museu Antropológico da Cidade do México antes, era mais do mesmo. Depois do museu, e logo antes do parque fechar, ainda fomos ver a Templo da Serpente Emplumada, Quetzacoatl. Nesse não podíamos subir, mas, talvez por isso, era muito bem conservado. Já bem cansados de subir e descer pirâmides, voltamos ao carro. Nos arrumamos, e seguimos viagem em direção à Oaxaca. A viagem levou 5h30min, noite adentro. Cruzamos 8 pedágios. Um mais caro que o outro - com preços indo de $183 (quase 40 reais) a $31 (mais ou menos 7 reais). Reclamamos dos preços, mas a estrada era muito boa e muito bem sinalizada, havia retorno do dinheiro que gastamos. Enfim, chegamos ao Airbnb reservado algumas horas antes, da estrada. Apartamento com apenas um quarto para nós cinco.










Dia 06 de janeiro, segunda

Dia de Reis! Muito tradicional no país: os presentes de Natal são trocados nessa data, nas padarias havia rosca de reis, na praça central, em frente à catedral da cidade, alguns ternos caracterizados como Reis magos e acompanhados ou não de grande bichos de pelúcia (camelos e até elefantes) posavam para fotos com famílias inteiras e depois vendiam a forma em forma de calendário. Tomamos café num local bem legal, tranquilamente, já quase ao meio dia. Dali saímos para explorar a cidade. O centro histórico de Oaxaca é lindinho, limpo, bem cuidado, tranquilo apesar de ser um polo universitário, capital de estado e ser o primeiro dia de aula após os feriados de final de ano. Conhecemos a catedral, mais bonita por fora do que por dentro, já que o interior é bastante "pesado" e escuro. Depois fomos até a igreja de Santo Domingo de Gusmán que fica perto de nosso apto. Essa igreja foi nossa favorita: com o teto e laterias todinhos decorados com muito bom gosto e um altar cheinho de ouro. Faz parte dessa igreja também um Centro Cultural (que não tivemos oportunidade de visitar) e um Jardim Etnobotânico, esse sim, conhecemos em visita guiada (as visitas são superconcorridas) e aprendemos alguns detalhes da vegetação regional e sua relação com os habitantes. Destacam-se os vários tipos de cactos e a árvore que dá nome à cidade (em uma das línguas locais): guaxe ou guache cujas sementes têm gosto parecido ao de alho. Durante o dia visitamos dois mercados muito importantes, pitorescos e bem representativos: 20 de novembro (de comidas) e outro, logo em frente, Benito Juárez (artesanato, produtos alimentícios e bugigangas). Visitas que valeram a pena - as duas! No mercado de comidas conhecemos as tlayudas (tortilla grande, coberta com mole, que é um “molho”/pasta um pouco doce e picante, carnes, queijo oaxaqueño, tomate, alface) muito típicas. Provamos o mole - essa pasta que se faz em umas 4 ou 5 versões e acompanha todo o tipo de comida. Há um corredor específico de churrasqueiras pequenas, onde os assadores, em meio a muita fumaça, ofereciam carnes cortadas em lâminas, tripas e chorizos assados em meio a muita gente que se acotovelava no corredor. Passar por ali era sair defumado. As padarias e confeitarias todas tinham muitos bolos /roscas de reis, lindas. O mercado de comidas era bem limpo e somente tinha um cheiro característico na parte de pescados. Foi um dos mais limpos desse tipo que já visitamos. O famoso queijo oaxaqueño é protagonista de muitas receitas e de várias bancas - branquinho, fibroso, salgadinho, ele é feito em tiras e enrolado até formar uma bola e acondicionado em sacos plásticos. Para vender, desenrolam as tiras e as pesam. À tardinha tomamos uma cerveja no terraço de um barzinho de frente para a igreja de Santo Domingo, linda vista! Depois visitamos uma exposição fotográfica no Museu Fotográfico Manuel Alvarez Bravo. Terminamos a noite num dos restaurantes que fica nos arcos da praça central, tomando umas cervejas, jantando tlayudas, enchilladas e assado e ouvindo boa música tocada ao vivo. A praça fervia de gente, a noite estava muito agradável, turistas e locais dançavam salsa e cumbia.







Dia 07 de janeiro, terça

Assim que saímos do nosso super ap fomos até a padaria/restaurante Boulenc muito indicada e que, realmente faz maravilhosos pães e lanches. Pegamos 5 sanduíches, sucos e cafés além de bolinhos de laranja para levar na viagem para o interior de Oaxaca. Nosso rumo era Hierve El Água, um local beeeem interessante, a 70km da cidade. Passamos por vários campos com plantações de maguey (ou agave) andando pela Sierra Madre. Chegando no local, depois de uns trechos de estrada de chão e muita poeira (o dia era superventoso), nos maravilhamos com as piscinas formadas por vertentes de água rica em calcário, em cima de uma montanha. A leve queda desta água pela montanha formou cascatas petrificadas que se podem ver descendo por uma trilha, que na verdade é um circuito bonito e permite apreciar o vale com as montanhas ao longe. Há duas piscinas maiores, a água estava fria nesse inverno ventoso, mas todos nós, depois da trilha, suados e cansados, nos encorajamos e mergulhamos para aproveitar e também tirar fotos na piscina de borda infinita muito linda. Vários turistas chegavam, alguns muito agasalhados, nem pensavam em colocar o pé na água. Voltando, paramos em uma pequena propriedade familiar à beira da estrada poeirenta, produtora de mezcal, já que essa região tem a capital mundial (como se em outros países se produzisse essa bebida...) do mezcal. Aprendemos sobre os tipos diferentes de agave, que dão diferentes sabores à bebida, vimos o forno onde ele é preparado para depois seguir ao moinho e, na sequência, às tinas...à destilação, tudo num local muito simples, ao lado da casinha do simpático proprietário Jorge, que nós ofereceu prova dos 3 tipos da bebida que ele tinha (testape, chuise e tabalo - superfortes, todos com teor alcoólico de 52 graus) e também compramos meio litro para levar – é a forma de ajudar e retribuir pelas explicações. No retorno à cidade havia um bloqueio na estrada que nos obrigou a fazer outro caminho, por cidadezinhas menores e retardo em mais de 1 hora o trajeto.






quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Cidade do México

01 de janeiro, quarta
Nova aventura nos esperava a partir do primeiro dia da nova década. Partimos - Ricardo, Artur, Renan, Luísa e Débora - às 6h30min pela Avianca, com escala em Lima e destino à Cidade do México. No avião, conseguiram uma refeição vegetariana para o Artur, apesar de não termos discriminado previamente na reserva essa opção, mas ele não pode tomar vinho, pois sendo a aeronave americana, há exigência de ter 21 anos para consumir bebida alcoólica. Chegamos à tarde no México (3h a menos de fuso horário em relação ao Brasil), depois de uma viagem bem tranquila. De uber, passamos as enormes avenidas com praças superequipadas para o lazer, onde as famílias se divertiam nesse dia de feriado. Chegando em nosso excelente e barato apto reservado pelo Airbnb, na avenida dr. José Maria Berti, 1194, nos instalamos e descansamos um pouco para depois sair para jantar.

02 de janeiro, quinta

Ricardo e Artur saíram para comprar coisas para o café da manhã, adoraram a padaria. Fizemos um desjejum e saímos de metrô (passagens muito baratas, em torno de 1 real), cuja estação está a 5 quadras do ap, rumo ao centro histórico – à praça central aqui, chamam Zócalo. Como era bastante gente na estação e pouco tempo de portas abertas, o Artur não conseguiu entrar no mesmo trem dos demais, mas por sorte sabia onde desembarcar e o próximo trem veio em 5 minutos. Saindo da estação, logo avistamos o enorme largo central em frente à também enorme Catedral e ao Palácio Nacional, que está sendo restaurado e ocupa toda uma quadra. Visitamos primeiro o palácio, de arquitetura espanhola e que foi construído sobre ruínas. A maior atração do palácio, que tem três andares, é acessada a partir do pátio central, através dos arcos e são os murais de Diego Rivera. Simplesmente belíssimos, coloridos e que contam toda a história do México.  O principal mural, nas escadarias, expressa um resumo histórico político desde o período pré-hispânico, mas nas paredes do corredor do 1º andar, cada painel  representa um aspecto da vida do povo: agricultura, comércio, plano de distribuição da cidade, de produção de pigmentos, tecidos e tingimentos etc. Uma maravilha! Em seguida entramos na catedral, também datada dos anos 1500 e que foi constituída a partir de diversas épocas, portanto, com estilos arquitetônicos diferentes. No interior, vários espaços, um deles com missa, muitos altares dourados, órgãos enormes, muitas esculturas. Fora da catedral, ao seu lado, muitos indígenas caracterizados com plumas, penachos, bastões com caveiras de animais, realizavam dramatizações como cerimônias indígenas de defumação nas pessoas que esperavam em filas. Bem ali atrás, em pleno coração do centro da cidade, ingressamos no sítio arqueológico do Templo Mayor (é cobrado ingresso) um enorme espaço de ruínas do principal espaço de vida na antiga capital "mexica" ou asteca, Tenochtitlan, atual Cidade do México. Parte das ruínas foram achadas no início do século XX, mas somente entre 1978 e 1982 foram realizadas as principais descobertas com o consentimento para derrubarem 3 edifícios da época colonial espanhola. Então, com inúmeras peças importantes e totalmente conservadas, organizou-se um museu, bastante importante. Pudemos ter uma boa ideia do que foi a organização do povo asteca à época. Depois, sentamos para comer uma pizza, tomar umas cervejas e depois, seguir caminhando pelos arredores. Fomos até outro ponto de bastante interesse, o Passeio da Alameda. Entramos no imponente Palácio de Bellas Artes, em estilo art déco, com uma cúpula de ladrilhos amarelos e laranja que se destaca ao longe. Preferimos não visitar as exposições no interior do palácio, pois havia uma fila e eram cobrados ingressos. Nos chamou a atenção o fato de que no Palácio Nacional a entrada é gratuita. Passeamos pela bonita e arborizada Plaza de la Reforma, com vários espaços de convivência, chafarizes, até chegarmos ao museu painel Diego Rivera, mas antes ainda entramos em um espaço cultural com uma exposição de arte contemporânea composto de obras em realidade virtual: tecnologia e arte. O museu mural Diego Rivera foi construído para abrigar apenas um mural: "Sonho de uma tarde dominical na Alameda Central". Caminhamos até a torre Latinoamericana de onde se tem uma vista muito boa da cidade, mas a fila era enooormeee e desistimos da atração. Fomos até a Arena Coliseo, onde acontecem as luchas libres, como estava fechada, apenas nos informamos, para aproveitar as próximas sessões. No trajeto pelas ruas até a arena, caminhamos por uma tua de lojas especializadas em vestidos de festa (especialmente 15 anos e casamento). Os 15 anos são uma comemoração enorme no México e os vestidos usados pelas moças, não deixam dúvida do quanto especial é a festa - muito tule, brilhos, saias extremamente rodadas. Ali perto também, no centro, fica a praça Garibaldi, onde muitos grupos de mariachi se reúnem e consequentemente, turistas que aproveitam para apreciar a música, solicitar canções específicas e comer em restaurantes bem típicos. Escolhemos o Salón Tenampa, um ótimo e tradicional restaurante e com pelo menos 2 grupos de mariachis animando as mesas que pagavam pelo show.



03 de janeiro, sexta
Pegamos o metrô até o Parque de Chapultepec, que tem 650 hectares, sendo o maior parque urbano da América Latina. Caminhamos bastante pelas estradas do parque, vimos esquilos nas árvores, havia muita gente aproveitando o dia lindo de recesso escolar para os mexicanos. Além de muita vegetação, lagos com pedalinhos, o parque abriga, em uma colina, o castelo de Chapultepec (hoje um museu), um zoológico e parque de diversões. Nosso maior interesse no parque era conhecer o Museu Nacional de Antropologia que é enorme, em estilo contemporâneo, muito bem distribuído e traz salas para cada uma das muitas culturas pré-hispânicas e também alguns ambientes com explicações antropológicas e ambientais, especialmente da América. Há uma apresentação audiovisual prévia, de meia hora, que é fantástica também e situa os visitantes para melhor compreender as exposições. O acervo traz estátuas, murais, objetos utilitários, peças funerárias de muitas culturas. O que chama mais a atenção talvez sejam as gigantes cabeças olmecas esculpidas em rocha, crânios e máscaras revestidos de turquesa e coral, artefatos de obsidiana, peças dos campos de jogo de bola maias, valiosos achados funerários e a peça de maior destaque: a grande Pedra do Sol, que por muito tempo foi confundida com um calendário asteca. Nossa próxima atração seria a Casa Azul de Frida Kahlo, para onde fomos de metrô, mas a fila era enorme e não aceitavam mais entradas naquele dia. A informação que obtivemos, para conseguir entrar: chegar muito cedo, às 7h, no dia seguinte, e aguardar até às 10h, quando a Casa Azul abre. Resignados, buscamos um lanche em uma confeitaria e seguimos caminhando pelo bairro, até a casa museu de Leon Trotski, que é bem interessante e tem a triste história de vida do revolucionário, que foi assassinado nesta casa, contada em painéis. Estando num bairro tão boêmio, aproveitamos para caminhar até o centro de Coyoacán, onde há duas praças que estavam muito movimentadas e jantamos num ótimo restaurante em frente à praça, bem onde está a fonte “de los coyotes”. Voltamos de metrô para nosso apto. Apesar de termos de caminhar bastante até a estação, ainda era prático e barato.


04 de janeiro, sábado
 Acordamos as 6h30, munidos de sanduíches, água e almofadas. Metade do grupo foi de uber até a Casa Azul da Frida Kahlo e chegou às 7h20 na fila que já tinha 4 pessoas. Artur e Ricardo chegaram uns 20min depois, a pé. A manhã era fria. Chegavam turistas e também gente que guardava lugar para vender ingressos. O sol saiu, nos aquecendo um pouco e quando o Museu abriu, às 10h estávamos a postos, mas um monte de gente entrou antes, alguns por terem comprado bilhetes pela internet, o que é o mais indicado, mas deve ser feito com antecedência. Outros compraram ingresso dos quatro cambistas na nossa frente, o que achamos bastante injusto da parte do museu, que vendeu mais de vinte ingressos para uma única pessoa na fila. Enfim, pelas 10h40, entramos e conhecemos a casa azul da Frida, seus aposentos íntimos, cozinha, atelier com a cadeira de rodas, o espelho usado para os autorretratos. Havia uma exposição de coletânea de fotos de época, correspondências pessoais muito interessantes, além de roupas e acessórios expostos recentemente ao público. Tudo lindo e bem cuidado, um pátio bonito, bem ajardinado. Dali seguimos para Xochimilco, depois de 2 metrôs e um ônibus de integração até o subúrbio da capital. Xochimilco fica à margem do lago Texcoco, onde ainda há remanescências dos antigos canais e férteis cultivos de flores e vegetais da época dos astecas, que criaram tais formas de cultivo já que fizeram a cidade em uma ilha lacustre e foram, gradativamente, aterrando os espaços. Hoje em dia, o local virou uma atração turística pitoresca, não somente pela situação dos canais pré-hispânicos, mas porque existem centenas de trajineiras / grandes canoas que levam as pessoas a passear pelos canais. As “trajineiras” são coloridas e enfeitadíssimas, bem ao estilo mexicano e levam nomes bem visíveis acima, normalmente de mulheres, com coroas florais. Turistas acham a experiência diferente e interessante, mas muitos moradores locais visitam Xochimilco e festejam aniversários ou outros eventos, passeando com grandes grupos a bordo das embarcações e muitas vezes contratando elencos de mariachis que ficam à disposição para serestas. Escolhemos o passeio de 2 horas e foi o suficiente para vivenciarmos a experiência, mas há muitas opções bem mais demoradas. Retornamos tudo: ônibus, metrô...até a estação central, onde descemos já à tardinha. Pretendíamos comer num dos famosos restaurantes Casa del Toño, mas desistimos, tamanha a fila. Aliás, a multidão que caminhava pelas ruas centrais nesse dia e horário era impressionante - não sei se somente pelo fato de ser final de semana ou ainda férias no México. A próxima atividade, que estava marcada na agenda do Ricardo desde que planejou a viagem, foi uma Lucha Libre. Caminhamos até a Arena Coliseo, ali no centro mesmo, compramos ingressos na 3ª fila e esperamos do lado de fora tomando um ponche (suco/chá quente, com pedaços de frutas) e comprando máscaras coloridas de luchadores! Na entrada fomos revistados por seguranças e depois por um detector de metais. Ainda passamos por uma pessoa que olhava cada ingresso, outra que lia o código de barras e outra que destacava. O Ricardo teve que deixar suas câmeras. Segue relato do Renan, o mais entusiasmado e conhecedor das luchas libres do grupo: "Após passar pela horda de seguranças e conferentes de bilhete, adentramos o Coliseu. Lá nos defrontamos com a última linha de defesa da segurança da arena, el acomodador. Este funcionário da arena tomou os ingressos de nossas mãos e exigiu que todos os cinco estivessem juntos para então nos levar até nossos assentos (que, por sinal, eram numerados). Não bastasse a superfluidade de sua função, o senhor ainda demandou uma propina pelo serviço. Após receber o montante de 50 centavos de peso do Ricardo, ele se retirou sem mais alarde. Segue o relato do Renan, que se descobriu o maior fã de lucha libre: “após receber uma sequência desconcertante de golpes de Guerrero, Volador surpreendeu a todos ao aplicar um contragolpe de precisão cirúrgica e que lhe rendeu a vitória no primeiro round. A surpresa também se deve à inesperada remoção de suas calças rosa pink e que revelou a existência de uma sunga também rosa pink. No segundo round, após uma grande performance e de muitos saltos e voos surpreendentes de ambos os gladiadores, a vitória ficou com Último Guerrero. O round final foi repleto de imobilizações e reviravoltas e em inúmeros momentos a vitória parecia poder ir para ambos os lados. Após algumas contagens e decisões questionáveis por parte do juiz, Volador Jr ficou com a vitória do round e da luta. Após o término da luta, ambos os combatentes agradeceram ao público…” Voltamos de metrô.