quinta-feira, 18 de julho de 2013

Igatu

dia 17 de julho de 2013, quarta-feira
Acordamos às 4h da manhã no primeiro dia de férias de inverno, a temperatura na rua era de 7 graus. Decolamos às 6h10 da manhã e após escala no Rio de Janeiro chegamos ao aeroporto de Salvador às 11h10. O grupo, nesta expedição, era formado por Clara, Catarina, Bela, Santi, Artur, Luísa, Ricardo e Débora. Alugamos dois fiat uno e seguimos em direção à Chapada Diamantina. A dica do amigo do Santi, de passar pela estrada de Ipirá, foi excelente, pelo jeito evitamos muito trânsito de caminhões na estrada mais usada e o estado da via era muito bom. Assim, vimos pequenas cidadezinhas do interior baiano, todas nos surpreenderam pela limpeza e tranquilidade. Praças agradáveis, ruas organizadas, casinhas coloridas. Pagamos 3 pedágios (de apenas R$ 1,80). Voltamos à estrada principal no entroncamento de Itaberaba e paramos no posto Santa Helena, também uma ótima dica: lugar limpo, com muitos lanches apetitosos e tudo organizado. Desde Salvador pudemos perceber como o verde da paisagem vai dando lugar, gradativamente, mas especialmente a partir de Ipirá, à aridez e aos cactos. Nosso primeiro destino seria Igatu, vila que pertence a Andaraí. Chegamos a Igatu já noite, às 19h30, após passarmos por um trecho da estrada real, construída na época do garimpo. Na verdade, só soubemos que existia este acesso porque estava marcado no GPS, já que a subida íngreme e o caminho de pedras muito irregular junto a um penhasco era quase inacreditável.




Nossa pousada já estava reservada e foi uma grande dentro. A Pousada Flor de Açucena é totalmente integrada com a geografia e a arquitetura da vila, ou seja, tudo em pedra, assim como as ruas, casas dos antigos garimpeiros e muitas das construções. Toda a área da pousada, que fica bem na entrada de Igatu, aproveita o terreno em declive e as grandes rochas, sendo que elas invadem quase todos os quartos. Também foram construídas estruturas de piscina, salas de estar, do café da manhã e cozinha coletiva, tudo incrustado nas pedras que já existiam. Mal nos alojamos, já saímos para jantar, afinal, estivemos viajando todo o dia e apenas lanchamos na estrada. A indicação do sr Jamar, da Pousada, foi o restaurante Água Boa, onde a maioria jantou um delicioso prato de carne de sol acebolada com purê de aipim e baião de dois. A Clara e a Catarina foram de espaguete ao molho de tomate. Sucos muito saboros e fresquinhos e cerveja acompanharam a refeição.

dia 18 de julho de 2013, quinta-feira
Como de costume em viagem, o Ricardo acordou cedo para fotografar, mas o tempo nublado no início da manhã, não favoreceu. Comprou o Guia da Chapada - uma revista que é vendida em todas as cidades da região e traz muita informação. Às 9h estávamos todos no café, muuuuuito bom e variado, com diversos sucos e pães, banana e aipim cozidos, tapioca, etc, etc. Muitos pássaros coloridos e pica paus vinham beliscar umas frutinhas colocadas ao lado do restaurante do café da manhã, então, comemos apreciando a linda e verde vista a partir da pousada, além dos passarinhos. Para chegar das cabaninhas ao local do café passa-se por caminhos de pedras, num sobe e desce, uma pontezinha, tudo disfarçado no ambiente entre uma vegetação florida, com bromélias e outras plantas da região.



O passeio previsto para este dia foi o Poço Azul, que fica num município vizinho, exigindo uma pequena viagem de carro pelo sertão. Mais uma vez nos chamou a atenção que os vilarejos onde passamos tinham ruas bem limpas e casinhas coloridas, mesmo no meio da poeira. Depois de mais ou menos 1 hora e de passarmos por dois assentamentos (há muitos na região), estacionamos junto ao rio Paraguaçu, o mais caudaloso da região. Atravessamos o rio num barco a remo e em alguns minutos já estávamos no caminho da propriedade do Poço Azul. A paisagem era muito seca, terra vermelha, muitos cactos e alguma plantação organizada pelo pessoal local. Tivemos que tomar uma ducha e levar coletes salva-vidas. Descendo 60 metros em muitos degraus, inicialmente de terra e depois de madeira, começamos a adentrar uma grande caverna no chão e avistar a água azul turquesa no fundo do poço. Ficamos em um deck de madeira sobre a água, onde nos ofereceram snorquels. O Poço Azul chega a 18m de profundidade e desde a descoberta de mais de 3000 fósseis pré-históricos (preguiças gigantes, toxodonte, mastodonte, etc) se tornou o maior sítio paleontológico submerso do Brasil. O esqueleto de animal que mais chamou a atenção dos pesquisadores e mergulhadores que retiraram os achados do fundo do Poço, foi uma preguiça gigante, que agora está sendo estudado no Museu de Ciências Naturais da PUC de Minas Gerais. As fotos da ossada impressionam pelo tamanho do bicho (http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/revista-ch-2005/218/o-passado-submerso). A água do Poço Azul é muito limpa e geladíssima!!! Tivemos muita sorte, pois não havia muita gente. Além de nós, era um casal de holandeses (eles eram belgas, o Santi viu no livro) com duas crianças e uma moça sozinha. Tudo muito tranquilo, deu para ficar bastante tempo na água e também fora, fotografando. A visibilidade é surpreendente, podia-se avistar todo o fundo, inclusive alguns galhos que estão caídos e também um tipo de camarão albino que é um dos bichinhos que vive ali. Por volta das 11 h30 o raio de sol entrou pela abertura da caverna, refletindo nas rochas e chegando cada vez mais perto da água. Durante mais de 1 hora, nesta época, o raio incide na água, iluminando ainda mais o que está mergulhado e tornando a cor azul mais intensa. Olhar a parede de luz que atravessa a água ao mergulhar, com snorquel, não tem preço...



Almoçamos no restaurante do local, um buffet bem bom e variado, com muita salada fresquinha (!!!) e alguns pratos típicos. Era tudo bem limpinho e organizado. Comemos palma (aquele cacto com "folha" arredondada), bem cortadinho e refogado, azedinho. Também pudemos provar godó (cozido de banana com carne de sol) e mamão verde cozido. Logo em seguida chegaram outros grupos e o pequeno restaurante encheu. Pudemos pagar o almoço e o ingresso à atração com o cartão de crédito. Voltamos pelo mesmo caminho, muita estrada de chão e algum trecho de pedra da estrada real que sobe a serra, pertinho de Igatu. O Ricardo ainda fez um trecho a pé para ir fotografando com calma. Na pontezinha que dá entrada a Igatu algumas lavadeiras aproveitavam o sol e foram bem fotografadas. Caminhamos pela vila de Igatu, com suas 4 ou 5 ruas, apreciando a pequena praça, as casinhas de pedra, as ruínas das casas dos antigos garimpeiros da época em que este vilarejo chegou a ter 8 mil habitantes. A igreja bem restaurada é muito bonita e algumas casinhas também rendem boas fotos.

Tomamos café e sucos em um bar/restaurante na rua principal e conhecemos, no centro de informações turísticas, o sr. Amarildo dos Santos, que deve ser a figura mais pitoresca da comunidade. Assim como fez com o Ricardo, pela manhã, ele nos levou até sua casa/bazar para mostrar os posteres e objetos alusivos a seus ídolos - Xuxa e Roberto Carlos. Ninguém merece...Em seu bazar, Amarildo vende pilhas, escova para cabelo, cachaças, balas, etc, etc, e o mais interessante: seus livros, que contam a história da região, registram acontecimentos de Igatu, e são todos ma-nus-cri-tos. Isso mesmo, todinhas as cópias vendidas são escritas à mão, algo de outro mundo. Claro que compramos dois deles! À noite a janta foi na Pizzaria da Dona Maura - massa crocante e boas coberturas, aliás, é muito bom quando podemos prestigiar os empreendedores da terra.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

San Blás

11 de fevereiro de 2013, segunda-feira


Mais uma vez acordamos muito cedo e embarcamos em um carro que estava contratado para nos levar até o território dos índios Kuna Yala. Depois de três horas e meia de viagem, cruzando o país de oeste a leste em um carro prá lá de desconfortável, chegamos ao oceano Atlântico, no cais de acesso ao arquipélago San Blás. No local, junto à saída dos barcos, havia muitos carros estacionados, todos 4X4, a maioria deixados por turistas que estavam passando dias em alguma das 365 ilhas. O movimento de grupos embarcando para uns dias de carnaval era grande. A nação Kuna Yala é conhecida pela sua força política e organização. Em certo ponto do caminho há um posto de controle de acesso, onde os índios fazem cobrança de ingresso ao território. A bandeira do povo, com uma suástica desenhada (símbolo que representa o homem como centro e é anterior à utilização pelos nazistas), tremula neste posto de controle e em todos os barcos e lanchas que levam às ilhas. Algumas mulheres em suas tradicionais roupas bordadas em tecidos e fios muito coloridos vendiam seus trabalhos manuais em panos, as famosas "molas", que também são encontradas em locais turísticos da capital. Para chegar até a ilha que havíamos escolhido levamos mais uma hora e meia em uma lancha picando nas ondas. Tem ilha para todos os gostos, mais ou menos perto do continente, com mais ou menos infra, muita gente e certa badalação até outras bem pequenas, com acomodação para poucas pessoas. Nossa ilha era afastada do continente e pequena.




Ao chegarmos, deixamos nossas pequenas mochilas, que era tudo o que havíamos trazido, na cabana de bambus e teto de palha com camas para nós quatro. Fomos direto aproveitar as praias paradisíacas da pequena ilha, que era gerenciada por duas famílias da nação kuna. Caminhando, circulamos toda a ilha em praticamente 1 hora. As refeições não eram muito boas, o banho de chuveiro em banheiro coletivo, fora das cabanas, também não, mas tudo foi recompensado pelas paisagens lindíssimas, areias branquinhas, coqueiros, marzão azulzinho, crianças indígenas brincando e pescando junto aos coqueirais.

Para o almoço, um índio apenas teve de pegar algumas lagostas e caranguejos na piscina que ficava embaixo da casa/palafita, construída sobre uma ponta do mar e onde havia inúmeros crustáceos vivos. Após encher um carrinho de mão com os animais coletados, o indígena saiu do "tanque" e levou tudo para a cozinha. À tarde, a Luísa, o Artur e o Ricardo foram de barco até outra ilha para mergulhar com snorkels. Não se via muitos peixes perto da praia, mas havia diversas estrelas do mar vermelhas e alaranjadas. Curtimos o entardecer na praia, junto à nossa cabana e à noite o céu incrivelmente estrelado. Depois de jantar na cabana das refeições coletivas, onde em duas grandes mesas os turistas eram servidos, nos organizamos e fomos dormir. A brisa agradável que passava pelas largas frestas dos bambus das paredes da pequena cabana indígena, foi uma maravilha. E assim, a Débora elegeu essa, a melhor noite de sono da viagem.






12 de fevereiro de 2013, terça-feira


Mais uma manhã curtindo a praia e caminhando na aldeia e, depois, volta ao continente de lanchinha, novamente picando nas ondas. O rapaz da empresa que nos trouxe e deveria nos buscar para levar de volta à cidade do Panamá, não apareceu na hora combinada e fomos ficando junto ao cais, naquela bagunça organizada de caminhonetas e barcos chegando e saindo. Havia uma casinha que centralizava informações, tudo gerenciado pelos kuna, onde o Ricardo foi se informar e negociar uma volta com outras pessoas. Não entendemos exatamente o porquê de o nosso transporte não ter vindo, mas os índios fizeram algumas ligações e resolveram a situação nos colocando em uma caminhonete beeem melhor do que a da vinda, de propriedade de um kuna que foi nos contando muitas histórias. Isto foi bem interessante. Por nosso pedido fomos deixados em um shopping, e, depois de fazer algumas compras, seguimos ao aeroporto, onde pegamos nossa bagagem que havia ficado no depósito e embarcamos de volta ao Brasil. Foram apenas três dias neste país, mas vimos coisas interessantes e o arquipélago realmente valeu a viagem.